terça-feira, 21 de maio de 2013

Os dados do Programa Nacional do Livro e Leitura (PNLL), dos Ministérios da Cultura e da Educação, mostram que o número de projetos cadastrados saltou de 162 em 2006 para quase 600 em 2008, por exemplo. O número de iniciativas que facilitam o acesso da população ao livro vem crescendo e sendo visto com mais importância.

As famosas máquinas que vendem livros no metrô de São Paulo, por exemplo, certamente é o maior projeto sustentável de formação de leitores e criação do hábito de leitura, segundo seu próprio fundador, Fabio Bueno Netto. A empresa 24x7 Cultural, que foi criada em 2003, tem o objetivo de gerar lucro e incentivar à leitura.

Se autoconsiderando uma dessas pessoas que decide mudar o mundo, planeja e sai fazendo, Fabio é médico, mas afirma só atuar em medicina preventiva. “A alfabetização funcional, longe de qualquer outro, é o fator de maior importância na redução da mortalidade infantil”. Fabio pretende espalhar as máquinas por outras cidades além de São Paulo e Rio de Janeiro. “Vão desde a expansão em locais de grande quantidade de gente, como hospitais, até escolas com máquinas itinerantes e de incentivo à escrita”. O Metrô congratula a iniciativa do empresário, mas cobra R$ 700/mês por m2 pela autorização de uso. “Temos muitos parceiros que nos ajudam e incentivam como podem, mas também tem um monte de gente com o poder de barrar o que fazemos e não nos dão sossego”, afirma Fabio.

Do Instituto Pró-Livro, a gerente de projetos Zoara Failla, caracteriza que os programas criados pelo Instituto visam o fomento à leitura com enfoque baseado nos resultados de “Retratos da Leitura no Brasil”, uma das mais importantes pesquisas feita pelo Ibope Inteligência a pedido do Instituto. “Em 2008, por exemplo, um dos resultados adquiridos foi a importância das mães no estímulo à leitura. Daí nasceu o projeto “Lê Pra mim”, com depoimentos de muitos artistas que contavam suas experiências pessoais em casa, com o hábito de ler.” Segundo Zoara, o IPL é apoiado por iniciativa privada, entidades e até mesmo pelos governos, dependendo do projeto e da situação atual do país em relação à educação.



Rosamaria Murtinho no projeto Lê Pra Mim, em Salvador, BH. (Foto: Marcelo Lelis/Ego Notícias)

Para a professora e doutoranda em Literatura Cognitiva da USP, Lidia Spaziani, ler muda a forma de pensamento e isso recai em nossas ações. “Ao ler, encontramos nossa identidade em comparação com os personagens das histórias lidas, é inevitável não nos revermos, repensarmos durante e após a leitura. Ampliar seu acesso é importante para que o brasileiro possa se repensar, se refazer e evoluir”, avalia Lidia.
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