O papel dos partidos chamados
“pequenos” no processo eleitoral tem sido algo pouco discutido no período
crucial de propagandas que antecedem as próximas votações. Em torno de legendas
menos tradicionais como o PSB, PSC, PPS, figuras que já tiveram (ou têm) sua
importância no cenário político brasileiro erguem suas bandeiras e mesmo que
indiretamente, podem decidir os rumos de uma eleição.
É isso que o jornalista
especializado em política nacional e internacional, José Antonio Lima explica.
Em se tratando de influência direta na votação, os pequenos parecem não ter
muito poder de mudar os rumos apenas com o seu esforço. Mas se apresentarem uma
proposta consistente de governo ou um tema que gere discussões úteis, o barulho
pode ser grande.
Primeiramente sobre o tempo de
propaganda, José Antonio acrescenta que raramente o partido que não desfruta de
popularidade nacional consegue uma exposição que resulta em boa quantidade de
votos nas eleições. Os fatores são simples: “O tempo de propaganda dos partidos
é regulado por lei e parte dele é proporcional à representação que cada um tem
na Câmara. Geralmente o tempo do partido pequeno é mais uma moeda de troca na
negociação com os partidos maiores do que útil para fazer campanha. No pouco
tempo que os nanicos têm, raramente alcançam sucesso eleitoral. Uma exceção foi
o PRONA com Enéas Carneiro”.
Em relação aos partidos de “uma
pessoa só”, como o exemplo do Rede, de Marina Silva, talvez não seja um case
que vá ser bem sucedido se aplicado em' outras legendas. Será que apenas um
nome pode ir longe numa disputa dessas? “Pode. A própria candidatura de Marina
Silva em 2010 se enquadra neste cenário. O PV é um partido conhecido, mas fraco
nacionalmente, sem grandes nomes. A candidatura de Marina, por uma série de
fatores, conseguiu criar uma mobilização em torno do seu nome e, com seus 20
milhões de votos, levou a disputa para o segundo turno. Ela conseguiu também
fazer a questão do desenvolvimento sustentável ser levada (momentaneamente)
para o centro do debate”, diz José Antonio.
As alianças de grandes com
pequenos? Se for isso, acho que têm capacidade limitada. Os partidos grandes
precisam do tempo de propaganda dos pequenos e só isso. Só o tempo, no entanto,
não garante uma vitória eleitoral. É preciso construir uma candidatura que
possa convencer o eleitor a escolhê-la.
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| Palácio do Planalto (Site Oficial da Câmara dos Deputados / Foto: Rodolfo Stuckert) |

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