segunda-feira, 20 de maio de 2013

O papel dos partidos chamados “pequenos” no processo eleitoral tem sido algo pouco discutido no período crucial de propagandas que antecedem as próximas votações. Em torno de legendas menos tradicionais como o PSB, PSC, PPS, figuras que já tiveram (ou têm) sua importância no cenário político brasileiro erguem suas bandeiras e mesmo que indiretamente, podem decidir os rumos de uma eleição.
É isso que o jornalista especializado em política nacional e internacional, José Antonio Lima explica. Em se tratando de influência direta na votação, os pequenos parecem não ter muito poder de mudar os rumos apenas com o seu esforço. Mas se apresentarem uma proposta consistente de governo ou um tema que gere discussões úteis, o barulho pode ser grande.
Primeiramente sobre o tempo de propaganda, José Antonio acrescenta que raramente o partido que não desfruta de popularidade nacional consegue uma exposição que resulta em boa quantidade de votos nas eleições. Os fatores são simples: “O tempo de propaganda dos partidos é regulado por lei e parte dele é proporcional à representação que cada um tem na Câmara. Geralmente o tempo do partido pequeno é mais uma moeda de troca na negociação com os partidos maiores do que útil para fazer campanha. No pouco tempo que os nanicos têm, raramente alcançam sucesso eleitoral. Uma exceção foi o PRONA com Enéas Carneiro”.
Em relação aos partidos de “uma pessoa só”, como o exemplo do Rede, de Marina Silva, talvez não seja um case que vá ser bem sucedido se aplicado em' outras legendas. Será que apenas um nome pode ir longe numa disputa dessas? “Pode. A própria candidatura de Marina Silva em 2010 se enquadra neste cenário. O PV é um partido conhecido, mas fraco nacionalmente, sem grandes nomes. A candidatura de Marina, por uma série de fatores, conseguiu criar uma mobilização em torno do seu nome e, com seus 20 milhões de votos, levou a disputa para o segundo turno. Ela conseguiu também fazer a questão do desenvolvimento sustentável ser levada (momentaneamente) para o centro do debate”, diz José Antonio.

As alianças de grandes com pequenos? Se for isso, acho que têm capacidade limitada. Os partidos grandes precisam do tempo de propaganda dos pequenos e só isso. Só o tempo, no entanto, não garante uma vitória eleitoral. É preciso construir uma candidatura que possa convencer o eleitor a escolhê-la.

Palácio do Planalto
(Site Oficial da Câmara dos Deputados / Foto: Rodolfo Stuckert)

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